O
cérebro dos mentirosos
Os cérebros
dos mentirosos são diferentes dos cérebros de
pessoas sinceras, afirma um novo estudo da Universidade da
Califórnia.
O psicólogo Mauro Godoy analisa a
presença da mentira nos dias de hoje e
como ela afeta nossa sociedade
No dia um de abril, o mundo costuma
celebrar o Dia da Mentira. O que começou como
uma brincadeira na França se estende até hoje.
No século XI, as pessoas mandavam cartas para amigos contando uma "mentirinha" com intenção
de provocar algum riso. A tradição
continua e o tema nos leva a refletir sobre a presença
da mentira no nosso dia-a-dia.
Já na infância a criança
lida com a mentira. Sigmund Freud, dizia que a maior
defesa das crianças está na capacidade de fantasiar
(Tanatos) e, assim, fugir da realidade quando não
está boa. No mundo do faz de contas, tudo é possível
e a fantasia passa a ser verdade.
“Para a psicologia, este mundo do
faz de contas é chamado de ideal de ego, uma projeção
do que gostaríamos de ser. Enquanto ainda não
somos essa pessoa, muitas vezes vendemos alguém que
ainda não existe. E este é o lado saudável
da mentira, quando criamos soluções, projetos
e virtudes”, explica o psicólogo Mauro Godoy.
Conta ele que o cérebro humano é constituído por
duas substâncias: A massa branca, que atua na criação
de informações, e a massa cinzenta que as processa. Os
mentirosos têm até 26% a mais de massa branca no córtex
pré-frontal, onde acontece uma intensa transmissão de informações
que ajudam a inventar as mentiras. Além disso, eles têm
14% menos massa cinzenta na área que controlaria os impulsos que
usamos para julgar o certo e o errado. Até os cinco anos as crianças
têm três quartos de massa branca no cérebro, por isso é natural
que ela viva no mundo da fantasia. Após os seis anos, ela passa
a contemplar o mundo que está fora e então o realismo começa
a tomar conta. Portanto, é depois dos seis anos que os pais devem
prestar mais atenção e se preocupar se o filho continuar
mentindo.
Conclui o psicólogo que a incapacidade
de controlar os impulsos e mentir é um processo semelhante
ao do vício do jogo, álcool ou drogas. O melhor
tratamento seria esclarecer, e resolver, o motivo que a está levando
mentir e desenvolver atividades criativas que exercitem a
parte branca do cérebro de modo produtivo para a pessoa.
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