A Transferência Médico X Paciente

O processo da transferência ocorre quando um paciente se apaixona pelo médico, psicólogo, dentista, advogado, etc. A carência, o sofrimento causado pelo acúmulo de problemas e a satisfação por encontrar alguém disposto a se envolver profissionalmente e resolver o problema, faz com que seja comum o surgimento de uma paixão pelo protetor.

Estas relações costumam não dar certo, sendo muito raros os casais que tiveram uma relação estável ou mesmo casamento.
A imagem projetada no curador chega a ser de ídolo, mas por trás desse papel existe uma pessoa que não é conhecida pelo paciente, que não é exatamente um herói, mas um ser humano normal.

Quando as máscaras caem e as pessoas se vêem de verdade costuma haver um choque capaz de fazer o amor desaparecer. Mas sempre há exceções. 
O que se deve fazer nestes casos é se declarar, procurar ouvir a versão do médico que foi preparado para esta situação, pois a transferência é frequentemente comum em consultório.

Caso haja a contratransferência, ou seja, o médico também se apaixona pelo paciente, o máximo que pode acontecer é ambos interromperem o tratamento, com ele indicando outro profissional e a partir daí os dois serão livres. Mas, se ele realmente quiser.

O que é mais natural acontecer é ele tentar devolver o afeto através da dedicação e da cura. O paciente melhorado passa a gostar mais de si próprio, amor por si mesmo que pode ser o mesmo que havia antes pelo protetor.

 

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Mauro Godoy © 2008 COMPANHIA DO SABER - todos os direitos reservados