FILOSOFIA

Para Carl Gustav Jung, a perfeita saúde depende do equilíbrio entre ação, percepção, sentimento e pensamento.
O esporte ajuda a agir, a motivação a perceber, o amor a sentir e
a filosofia a pensar. Conhecer as experiências dos seres mais inteligentes da história é como tomar um atalho para o sucesso.
Conheça em textos simples o trabalho de cada um deles.

 

 

 

SÓCRATES nasceu em 470 ou 469 a.C., em Atenas, filho de Sofrônico, escultor, e de Fenáreta, parteira. Aprendeu a arte do pai, mas dedicou-se inteiramente à meditação e ao ensino filosófico, sem recompensa alguma. Apesar de sua pobreza, desempenhou alguns cargos políticos e foi sempre modelo de bom cidadão. Combateu na guerra onde salvou a vida de vários colegas, carregando nos ombros Xenofonte, gravemente ferido.
Quanto à vida pessoal, sacrificou seus relacionamentos devido a sua obssessiva atenção pelo trabalho.
Julgava que devia servir a pátria através de atitudes, vivendo de forma justa e criando cidadãos sábios, honestos, equilibrados, ao contrário dos sofistas (seus antagonistas), que agiam para o próprio proveito e formavam grandes egoístas, capazes de se voltar uns contra os outros e escravizar o próximo.
A introspecção é a característica principal da filosofia de Sócrates.
Criador de famosos lemas como: só sei que nada sei e conhece-te a ti mesmo, isto é, torna-te consciente de tua ignorância.
Enquanto os filósofos da época acreditavam que o ser humano não fosse capaz de entender a Verdade, Sócrates contrariou essa norma através da teoria sobre o objeto da ciência, mostrando que a inteligência pode definir e formar conceitos. Este conceito ou idéia geral obtém-se por um processo dialético por ele
chamado indução que consiste em comparar vários indivíduos da mesma espécie, eliminar-lhes as diferenças individuais e buscar o elemento comum, a essência da coisa, enfim, o consenso.
A indução socrática não tem o caráter demonstrativo do moderno processo lógico, mas é um meio de generalização que retoma o indivíduo à noção universal.
A parte culminante da sua filosofia é a Moral, onde ensina a “bem pensar para bem viver”, que é o único meio de alcançar a felicidade ou semelhança com Deus, fim supremo do homem, é a prática da virtude, que se conquista com a sublimação do sofrimento, o estudo, a vivência e a sabedoria.
A Gnosiologia classifica o homem como político e pragmático.
Político é o indivíduo que tem boas relações, sabe se vestir e impressionar. Envolvido de encanto e doçura, convence com facilidade.
O pragmático é aquele que pega e faz.
Sem delongas ou mais demoras, domina a ação e desconhece a preguiça. Cercado de pontualidade e disciplina, encontra na realização o prazer.
Não é sábio escolher um dos dois para ser, já que ambos são importantes. Enquanto um produz o outro vende.
O peão de obra é pragmático, mas não sabe se relacionar perfeitamente. O estelionatário sabe convencer, mas não realiza nada. Existe o momento de ser político e o de ser pragmático, cabendo sempre o conhecimento de ambos.

Sócrates foi processado com a acusação de corromper a mocidade e negar os deuses da pátria, introduzindo outros.
Optou por defender-se pessoalmente diante dos juizes, humilhando-se e desculpando-se mas sem querer ser convincente. Provável que não quisesse buscar uma solução para a vida terrena, e sim para a imortalidade. Preferiu a morte e foi declarado culpado.
Suas últimas palavras dirigidas aos discípulos, depois de ter tomado um veneno chamado cicuta, foram: "Devemos um galo a Esculápio", referindo-se a um personagem da Mitologia, criado pelo deus da Medicina, que se tornou tão bom em sua profissão que ressucitou um morto e por isso teve que pagar com a sua própria morte, já que esta seria uma dádiva apenas dos deuses. Sócrates morreu em 399 a.C. com 71 anos de idade.

 

 

PLATÃO nasceu em Atenas, em 428 ou 427 a.C., filho de pais ricos e com demasiada cultura. Cresceu aprendendo artes e política, tornando-se poeta ainda jovem. Aos vinte anos, conheceu Sócrates – que era quarenta anos mais velho – e manteve por oito anos uma profunda amizade. Depois da morte do mestre, retirou-se com outros socráticos para junto de Euclides, em Mégara.

Entre 390 e 388, fez um giro pelo mundo buscando instrução, visitando o Egito, a Itália, a Sicília entre outros. Mas, nem tudo foi sorte, traído por um amigo, Dionísio o Antigo, acabou sendo vendido como escravo. Libertado graças a um outro amigo, voltou para Atenas.
Pelo ano de 387, Platão fundava a sua célebre escola Academia.
Ao contrário de Sócrates, aprofundou-se na política e continuou sua luta contra Dionísio entre 366 e 361, chegando a ser preso, mas depois libertado.

Platão dedicou-se inteiramente à metafísica, ao ensino filosófico e à redação de suas obras, atividade que não foi interrompida a não ser pela morte em 348 ou 347 a.C., com oitenta anos de idade.

Primeiro filósofo antigo de quem possuímos as obras completas. Porém, dos 35 diálogos que correm com o seu nome, muitos são de autenticidade duvidosa.
Os escritos platônicos são sob forma de diálogo com Sócrates e o método estritamente aristotélico, devido à didática. O fundador da Academia misturava mito e poesia muitas vezes com elementos totalmente racionais.

Desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidades: as inteligíveis e as sensíveis, criando a Teoria das Formas ou Teoria das Idéias, na hipótese de que o mundo concreto e tudo o que existe nele é apenas uma tentativa de materializar o que há no mundo das idéias.
Por exemplo, uma caneta possui características, outra caneta pode possuir outras, mas para que as duas sejam canetas precisa haver uma caneta ideal, que só existe na mente das pessoas, sendo que esta sim será a caneta perfeita.

Outra de suas criações genias foi a Ontologia, que significa “o estudo do ser”, tentando responder uma pergunta: Quem existe?
A resposta é: Existem dois seres, o ser em si e o ser em outro.
O ser em si representa a pessoa de verdade, quando se é espontâneo, abre-se o coração e é absolutamente autêntico.
O ser em outro consiste nos papéis que desempenhamos, quando deixamos de ser nós mesmos para sermos profissionais, filhos, pais, mães, maridos, esposas, etc.
Quando você vai a um médico não paga a consulta para saber o que ele fez no final de semana, espera-se que ele deixe de ser apenas uma pessoa, durante um tempo, para que desempenhe o papel de médico.
Existem mulheres que assumem o papel de mães durante décadas, vinte e quatro horas por dia, depois nem lembram quem são realmente. São problemas ontológicos.

Platão também elaborou a Teoria do Conhecimento, procurando explicar como se pode conhecer as coisas. Segundo ele, ao ver um objeto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Idéia daquele objeto no mundo das Idéias.

Como exemplo, Platão recorre a um mito, ou metáfora, que diz que antes de nascer, cada pessoa vivia em uma “Estrela”, onde localizam-se as idéias. Quando nasce, sua alma é jogada para a Terra e o impacto faz com que esqueça o que viu na Estrela. Mas ao ver um objeto aparecer de diferentes formas, a alma recorda-se da Idéia daquele objeto que foi vista na Estrela. Tal recordação, chama-se anamnesis.

Exemplificou esta teoria com o Mito da Caverna na obra A República:

No Mito da Caverna, Platão descreve uma situação com pessoas prisioneiras, vivendo em uma caverna. Amordaçados, sem nunca terem visto nada, nem a si mesmos, nem aos outros, enxergam somente sombras e um pequeno feixe de luz durante o dia. Acorrentadas, sem poder se mexer, a única coisa que ouviam eram os ruídos que vazavam do lado externo.
O que se passava na mente dessas pessoas é que a realidade são as sombras e os sons, que existem no lado de fora.
Um dia, um desses prisioneiros conseguiu escapar e fugiu. A primeira coisa que encontrou foi a forte luminosidade, sentindo um enorme desconforto, suficiente para pensar em voltar. Porém, houve um forte deslumbramento pelas coisas iluminadas, ficando assim entre a dor e o espanto. Dor, porque tudo o que via era por demais incompreensível, contestando ou arrematando o que sempre acreditou. Espanto, por enxergar um mundo capaz de superar tudo que sempre imaginou.
Mais tarde, depois de aprender a conviver com a felicidade de ver as coisas, descobrindo que era prisioneiro por toda a vida, lembrou dos outros que ficaram e voltou à caverna para contar o que viu.
Ao chegar, foi desacreditado e vítima de gozação pelos demais, pois ninguém acreditava em suas palavras, chegando a espancá-lo.
Teimando em dizer, convidou-os para sair e constatar a realidade, ativando a ira dos demais, correndo o risco de morte.
Possivelmente um dia, alguns poderão lembrá-lo e decidirão escapar e encarar a realidade.


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