SATURNO
Era o segundo filho e Titã era o primogênito, mas, tendo resolvido
destronar seu pai, Urano, Saturno obteve de Titã permissão
para ocupar o trono em seu lugar, comprometendo-se porém a não
ter descendência masculina, para não prejudicar os filhos de
Titã se estes um dia resolvessem reinar. Feito esse pacto, Oceano,
Saturno e Titã atacaram seu pai e o subjugaram e, vitimado pela dor
e pela mutilação cruel a que Saturno o submeteu, Urano morreu.
Logo que tomou posse do trono, Saturno casou com sua irmã, Réia
e, de acordo com a promessa feita a Titã, passou a devorar todos
os filhos que nasciam. Assim, engoliu Vesta, a deusa do fogo, Ceres, a deusa
das colheitas, Netuno, Plutão e Juno, irmã gêmea de
Júpiter.
Réia,
no entanto, conseguiu salvar Júpiter, dando a Saturno uma pedra enfaixada,
que ele devorou julgando ser o filho.
Depois de adolescente, Júpiter procurou a deusa Prudência que
lhe ensinou o que devia fazer para libertar seus irmãos e destronar
o pai. Segundo seus conselhos, Júpiter deu uma beberagem a Saturno,
que vomitou todos os filhos que engolira. Unindo suas forças às
de Plutão e Netuno, Júpiter lançou-se à guerra
contra o pai, pedindo a ajuda dos Ciclopes, bondosos gigantes que viviam
nas entranhas da terra.
Os Ciclopes deram-lhe o raio, o trovão e o relâmpago, que haviam
fabricado em suas forjas e deram, também, o poderoso capacete de
Plutão e o mágico tridente a Netuno.
Assim armados, os três irmãos destronaram Saturno e, depois
de torturá-lo com a crueldade própria dos deuses, expulsaram-no
do Olimpo. Júpiter, Netuno e Plutão,
após a vitória, dividiram o mundo entre si:
Netuno ficou com os mares, Plutão escolheu os infernos e Júpiter
reservou para si o céu. Saturno se refugiou no Lácio, na
Ítala, onde reinava o rei Janos.
Agradecido pela hostilidade que Janos lhe concedeu, Saturno tornou-o uma
divindade e lhe deu a faculdade de ver o passado e o futuro; é
por essa razão que Jano é representado como um deus de duas
caras, olhando em direções opostas. Durante todo o tempo que passou no Lácio, Saturno
dirigiu os destinos dos homens, deu-lhes sábias leis e conduziu-os
com tal justiça
e acerto que o tempo que permaneceu na terra foi chamado de Idade do Ouro;
não se conheciam maldades ou injustiças, ninguém
tinha ódio em seu coração, a terra produzia fartas
colheitas sem que houvesse trabalho para cultivá-la e os rios eram
de leite e mel. Ninguém possuía riquezas e tudo pertencia
a todos, sendo a humanidade composta somente de criaturas ricas, felizes
e saudáveis. Para comemorar esses tempos dourados, em Roma eram
celebradas as Saturnais, que começavam no dia 16 de dezembro de
cada ano.
Primitivamente, estas festas tinham um dia de duração, mas
o Imperador Augusto estendeu-as para três dias e Calígula
mais tarde agregou-lhes mais vinte e quatro horas. Durante essas festas,
em lembrança da igualdade de direitos na Idade do Ouro, os senhores
não tinham poder sobre seus escravos e não era permitido
executar ninguém, nem mesmo um criminoso. O único trabalho praticado nesses quatro dias era
o que exigia os lautos banquetes e a farta distribuição
de comidas e doces que se fazia em toda a Roma.
O templo de Saturno, no Capitólio, era também o depósito
do tesouro público, em homenagem ao fato que durante a Idade do
Ouro os homens eram honestos e os roubos não eram praticados.
JÚPITER
É considerado como o pai de todos os deuses e o deus e rei de todos
os homens.
Ao nascer já estava consenado à morte, mas deveu sua vida
a uma hábil manobra de Réia, sua mãe; Saturno, seu
pai, em virtude do pacto que fizera com seu irmão , Titã,
propusera-se devorar todos os filhos homens mas, quando do nascimento do
menino Júpiter, foi enganado por sua esposa que lhe deu uma pedra
enfaixada, que ele engoliu pensando ser a criança.
Juntamente com
Júpiter, Réia deu à luz uma menina, Juno, que não
teve a mesma sorte do irmão e foi devorada por Saturno.
Juntando-se aos seus dois irmãos, Plutão e Netuno, Júpiter
resolveu destronar Saturno e expulsar os terríveis Titãs,
que na verdade eram os legítimos herdeiros do trono e podiam colocar
obstáculos às suas pretensões à realeza.
Começou, então, seu glorioso reinado, que foi cheio de emocionantes
aventuras guerreiras e amorosas. Segundo Hesíodo, teve sete esposas,
que foram Têmis, sua tia, Mnemósine, a deusa Memória,
Eurinome, filha do Oceano e de Tétis, a bela Metis, que não
deve ser confundida com a deusa Prudência, Latona, a formosa filha
do Titã Coeus e ainda suas irmãs, Ceres e Juno.
Segundo
outras fontes todas foram seus amores ilegítimos, com exceção
de sua irmã gêmea, Juno.
Além destas sete, Júpiter ainda amou apaixonadamente várias
ninfas e mortais, das quais teve inúmeros filhos.
Seus descendentes mais famosos foram: Minerva, que foi gerada em sua própria
cabeça; Baco, que nasceu da princesa tebana Semele; Apolo, o Sol
e Diana, a Lua, gêmeos nascidos de Latona; Marte, filho de seu casamento
com Juno, que também teve outro filho, Vulcano, e uma filha, a formosa
Hebe; Prosérpina, fruto de sua paixão de sua irmã,
Ceres; Mercúrio, nascido do amor que teve por Maia, uma das filhas
de Atlas; amou Aurora e dela teve um filho, Lúcifer, que conduzia
todos os astros e atrelava os cavalos do carro do Sol; é também
pai dos três juízes dos Infernos, Radamento, Minos e Eaco,
os dois primeiros nascidos de sua amada Europa e o terceiro da ninfa Egina;
as Náiades, ninfas que presidiam as fontes e os rios eram sua filhas,
assim como as Graças, que nasceram de seu romance com Eurinome; Têmis,
a Justiça, também lhe deu três filhas lindas, as Horas
e três filhas horríveis, as Parcas.
Além destes descendentes, ainda teve outros muitos, aos quais amou
com ternura especial. Seu culto era universalemente espalhado. Seus mais
famosos oráculos eram os de Dodona, Líbia e Trofono. O touro
branco era seu animal sagrado e a águia sua ave favorita. Apesar
de seu título de Deus Supremo e de sua importância como divindade
principal, foi o mais humano de todos os deuses.
VÊNUS
Sob o nome romano de Vênus e grego de Afrodite, Vênus foi uma das deusas mais cultuadas na antiguidade. Nasceu de forma inusitada quando Saturno, invejando o poder de Zeus que tinha seu pai Urano, desenvolveu habilidade com o uso da foice e um dia, enquanto Urano dormia, cortou-lhe os testículos, tirando o seu direito de procriar.
Os testículos voaram pelo céu e vieram cair na Terra, ou seja, no mar. A queda gerou enormes ondas e kilômetros de espuma contendo os espermatozóides de Urano. Uma concha de madrepérola agasalhou essa espuma com um dos espermas, servindo de abrigo e seguiu a deriva pelo mar, até próximo à ilha de Chipre, onde se abriu, fazendo surgir Vênus. Zéfiro, um dos oito ventos, entregou a deusa às Musas, que se encarregaram de criá-la e educá-la.
Depois que cresceu, sua beleza era tão grande que não cabia na Terra e foi levada ao Olimpo onde logo ao chegar, foi desejada por todos, mas Júpiter deu a Vulcano, o mais feio dos deuses, o direito de desposá-la. Assim, o mais feio passou a ser esposo da mais bela. Conclusão, Vênus traiu seu marido por mais de mil vezes.
Usava como símbolo da sedução o Cesto, seu cinturão que deixava apaixonados todos aqueles que o fitavam.
Entre os seus amantes prediletos estavam Apolo, é claro, Júpiter, Dionísios ou Baco, o deus do vinho, mas nenhum lhe dava tanto desejo quanto Marte, o deus da guerra e da virilidade. Nos encontros entre ambos, Marte deixava de guarda Alectrião, seu favorito, que era bastante preguiçoso. Certa vez Apolo, o Sol, que também amava Vênus, seguiu os dois apaixonados até seu esconderijo secreto. Tendo Alectrião adormecido, Apolo passou a espiá-los de perto e, vendo o que sucedia, foi chamar Vulcano. O marido, ultrajado, apanhando os amantes em flagrante, envolveu-os numa rede poderosa e invisível e chamou todos os deuses para que testemunhassem o adultério. Desse amor com Marte, Vênus teve um filho, Cupido, ou Eros, o amor. Percebendo os males que Cupido podeiria causar, Júpiter pediu a Vênus que se desfizesse dele, mas ela não lhe obedeceu. Como Cupido estivesse condenado a ser sempre criança enquanto não tivesse outro irmão, Vênus teve outro filho de Marte, Anteros, o antiamor, aquele que transforma o amor em ódio. Além de Cupido, Vênus foi também mãe dos Amores, dos Jogos e dos Risos.
De seu amor com Baco nasceu a divindade chamada Hímem, ou Himeneu. A maior paixão que sentiu foi por Adônis, um mortal que era mais belo do que qualquer dos deuses. Por ele, Vênus fugiu do Olimpo, separou-se de seus companheiros e desdenhou a companhia dos deuses. Enciumado, Marte tansformou-se num javali, atacou Adônis e matou-o. Vênus, depois de chorar longamente, transformou o jovem em anêmona, flor de grande beleza e vida efêmera.
APOLO
Júpiter certa vez se apaixonou por Latona, filha do Titã Céu. Juno, que sofreu mil infidelidades de Júpiter, ficou furiosa ao saber que Latona estava esperando um filho. Fez com que a Terra prometesse não dar abrigo a ela e à criança e ainda mandou a serpente Píton persegui-la e matá-la. Netuno, compadecido, bateu no mar com seu tridente e fez surgir dos verdes abismos a Ilha Delos, onde Latona se refugiou.
Ali, sob uma oliveira, ela deu à luz um casal de gêmeos: Apolo e Diana, o Sol e a Lua.
Assim que se tornou um adolescente, Apolo tomou seu arco e suas flechas e matou Píton, vingando assim os sofrimentos passados por sua mãe. Em seguida esfolou a serpente e com sua pele cobriu a trípode onde a Pitonisa de Delos se sentava para proferir seus oráculos.Apolo era um jovem de extraordinária beleza, com um corpo atlético e de linhas perfeitas e longa cabeleira longa que lhe caía aos ombros. Sua primeira paixão foi a ninfa Corônis, com quem teve um filho, Esculápio, que se tornou mestre em Medicina. Certa vez, tendo ressussitado Hipólito sem o consentimento dos deuses, Esculápio incorreu na ira de Júpiter, que fulminou como um raio.
Estes raios jupterianos eram feitos pelos Ciclopes, gigantes de um só olho, que trabalhavam nas forjas de Vulcano, no monte Etna. Apolo, louco de mágoa pela morte de seu filho, vingou-se matando Ciclopes. Júpiter, então, expulsou-o do Olimpo, como castigo.Muitas aventuras Apolo teve na Terra, onde se refugiou no plácio de Admeto, rei da Tessália, que lhe confiou a guarda dos rebalhos. Triste como todo o exilado, enquanto vigiava os animais, Apolo tocava sua lira com tal arte que ninguém resistia ao ouvi-lo. Certa vez o deus Pã resolveu desafiá-lo para um duelo musical e o Rei Midas foi escolhido como árbitro.
A fascinante flauta do deus dos bosques não conseguiu vencer a lira de Apolo, porém Midas, que era amigo de Pã, deu-lhe assim mesmo a vitória; zangado, Apolo vingou-se fazendo nascer no desonesto rei um par de orelhas de burro. Mais tarde foi desafiado pelo sátiro Mársias, que era um musicista sem par. Ante a proposta de que o vencedor poderia fazer do outro o que bem quisesse, Apolo aceitou a proposta. A despeito de toda a sua arte, Mársias foi vencido e o deus do Sol, com a crueldade própria dos habitantes do Olimpo, esfolou-o vivo; depois, arrependido, ao ver Mársias morto, tomou a lira e a flauta que faviam servido para o desafio e colocou-as numa caverna consagrada a Baco.
Sentiu grande amor pela ninfa Clímene, que lhe deu vários filhos, entre os quais o célebre Faetonte. Por meio de um truque, Faetonte conseguiu obter de Apolo a permissão para dirigir o carro do Sol e iluminar a Terra por um dia. Como havia jurado pelo Estige e não podia quebrar sua palavra, Apolo cedeu aos desejos do filho.
Os cavalos que puxavam o carro de fogo, todavia, sentiram a mão inábil do jovem Faetonte e se desgovernaram, ora afastando-se demasiadamente da Terra, ameaçando incentivar o céu, ora baixando até quase baixar a superfície, secando os rios e calciando campos e cidades. Júpiter, para evitar a ruína do universo, causou nova inconsolável dor a Apolo, transpassando Faetonte com seu raio mortal.A ira do deus dos deuses finalmente se acalmou e o Sol teve permissão para retornar ao Olimpo e reassumir seu lugar. Foi adorado não só como divindade solar, mas também, como protetor da música, da poesia, da eloquência, da medicina, das profecias e da arte. A ele eram consagrados galos gaviões, cisnes e cigarras.
O loureiro e a oliveira eram suas plantas sagradas e seus devotos também lhe ofereciam flores, entre elas o lótus, o mirto, o jacinto, o heliotrópio e o girassol. Era sempre representado como um belo jovem, porque o Sol jamais envelhece. Na Terra e nos infernos seu nome era Apolo e no céu era conhecido como Febo.Segundo outra lenda, o Sol está associado a um deus chamado Hélios. Quando jovem, Hélios foi afogado no Erídano por seus tios, os Titãs. Sua mãe, tendo-o procurado em vão, foi consolada ao saber que Helios havia sido transportado para o Sol, que seria então sua eterna morada. Este deus era também representado como um jovem belo louro e dirigia um carro de luz puxado por quatro cavalos: Éton, Flégon, Pírois e Ego. Sua irmã era a formosa Selene, a Lua.
DIANA
Júpiter certa vez se apixonou por Latona, filha do Titã Coeus. Juno, que muito sofreu com as infidelidades do marido, ficou furiosa ao saber que Latona estava esperando um filho. Fez com que a Terra prometesse não dar abrigo a ela e à criança e ainda mandou a serpente Píton persegui-la e matá-la.
Netuno, compadecido, bateu no mar com seu tridente e fez surgir, dos verdes abismos, a ilha de Delos, onde Latona se refugiou. Ali, sob uma oliveira, ela deu à luz a um casal de gêmeos:
Diana e Apolo, a Lua e o Sol. Diana, ou Ártemis, nasceu momentos antes de seu irmão, e assim teve a oportunidade de testemunhar as dores sofridas por sua mãe. Isso a fez conceber tal aversão pelo casamento que não deu sossego a seu pai, Júpiter, enquanto este não lhe permitiu a graça de guardar
virgindade perpétua. O deus dos deuses, a despeito de todas as suas infidelidades matrimoniais, amava muito a todos os seus filhos, legítimos ou não.
Concedeu então a Diana a graça que já fizera a outra de suas filhas, minerva, sua predileta, que também jurara guardar castidade eterna; e desde esse dia as duas jovens, por sua beleza e pureza, passaram a ser conhecidas como virgens brancas.Júpiter presenteou Diana com um arco e umas flechas e fê-la rainha dos bosques. Diana tornou-se caçadora emérita e foi viver nas florestas, onde era acompanhada por um cortejo de formosíssimas ninfas, as Oceânias e as Ásias, das quais exigia absoluta castidade e obediência. Ela e o irmão, Apolo, amavam-se ternamente. Como um não queria ofuscar a glória do outro, ele reinava sobre o dia e ela era a senhora da noite. Quando Apolo, cansado, mergulhava seu carro de fogo nas profundezas do eceano, Diana então iniciava sua caminhada no céu, refrescando a terra que o irmão deixara aquecida com seu calor.A deusa lunar era severa com suas ninfas, que costumava castigar duramente quando ousavam desobedecer às suas ordens.
Era cruel e até mesmo vingativa com todos aqueles que se atreviam a desafiar sua vontade, e enviava secas, pestes, tempestades e epidemias para destruir homens, animais, campos e pastagens, se não lhe eram prestadas homenagens devidas. Ela e Apolo demostraram toda a fria maldade dos deuses quando se vingaram de Níobe, a esposa de Anfíon, rei de Tebas. Segundo Hesíodo, Níobe tinha vinte filhos, dez rapazes e dez moças, e frequentemente ofendia Latona com palavras de desprezo. Diana e Apolo aguardaram uma oportunidade que não tardou em chegar; certa ocasião, como os dez rapazes de Níobe estivessem numa planície, exercitdando-se nas armas, o divino casal de gêmeos matou-os com suas flechadas.
Ouvindo os gritos dos jovens, as fillhas de Níobe correram para ver o que acontecia, e quando se aproximaram dos irmãos foram também mortas por Diana e Apolo, que assim vingaram os desaforos recebidos por sua mãe. Níobe dirigiu-se aos filhos mortos e não pôde articular palavra. Ficou imóvel como uma rocha, e só sabiam que estava viva porque as lágrimas escorriam em seu rosto, sem cessar. Um turbilhão arrebatou-a no ar e transportou-a para uma montanha da Líbia onde ela, transformada num bloco de mármore, perpetuamente úmido com seu pranto, até hoje chora o seu luto.
Apesar de seu voto de virgindade, Diana se apaixonou por Órion, o belo caçador. Foi um amor inútil, por Aurora, que era quem abria as portas do céu para dar passagem ao carro de Apolo, já conquistara o coração do audacioso caçador; não sabendo melhor modo de tomar vingança, Diana matou Órion que foi imortalizado na constelação que leva seu nome. Amou também a Eudímion, um rapaz de extraordinária formosura que tinha conseguido de Júpiter o favor da juventude eterna, através do sono perpétuo. Eudímion dormia numa gruta do Monte Latmos onde Diana ia visitá-lo todas as noites. Na terra, além de Diana, davam também à deusa Lua o nome de Ártemis. No céu era chamada Febe e nos infernos era Hécate. Seus animais eram a corça e o javali. Ofereciam-lhe, em sacrifício, bois, veados, carneiros e, às vezes, belas viagens, em lembranças das ninfas que compunham seu séquito.
MARTE
Saturno e Réia, que nasceram da união de Urano, o Céu, e Vesta ou Titéia, a Terra, tiveram vários filhos, entre eles Netuno, Plutão e Júpiter, que foi chamado “Pai dos Deuses” e que se casou com Juno, sua irmã gêmea. Marte nasceu dessa união e quem o educou e ensinou a guerrear foi Priapo, filho de uma ninfa chamada Naiás. Teve inúmeras e turbulentas aventuras, amorosas e épicas. Apaixonou-se por Vênus, que segundo uns era filha de Júpiter e Dioméia, segundo outros nasceu da espuma do mar, misturada com o sangue de Urano, que caiu sobre a terra quando esse deus foi esmaculado por Saturno, seu filho.
Dessa união nasceram dois rebentos: Deimos e Fobos, o Terror e o Medo. Amou a formosa Réia Silvia, que também lhe deu dois filhos, Rômulo e Remo, os fundadores do povo romano. Era o deus da guerra e da violência e nas batalhas fazia-se acompanhar por Ago, o Combate, Éris, a Discórdia, e Ênio e os Queres, divindades do morticídio. Belona, sua mulher, cujos cabelos eram serpentes, pois ela nascera de uma família de monstros à qual pertenciam as Górgonas, eram quem atrelava e conduzia o carro de batalha do deus. Mesmo naa lutas mais violentas, ladeada por Fobos e Deimos, Belona acompanhava Marte, com as serpentes de seus cabelos silvando, os olhos em chamas e brandindo o chicote sangrento, com que fustigava os cavalos impiedosamente. A Fama, divindade alada, seguia o carro chamando, com sua trombeta, a Vitória ou a Derrota. Nas batalhas de Marte somente a Vitória atendia ao chamado da Fama.
Na Trácia, na Beócia, na Lacônia e na Ática era adorado e os atenienses lhe consagraram o rechedo vizinho da Acrópole, que tomou o nome de Areópago (colina de Ares). Seu culto, porém, foi maior em Roma do que na Grécia. Desde o reinado de Numa foram-lhe dedicados templos e sacrifícios especiais. Seu mais célebre templo foi o que Augusto construiu em honra e onde era adorado com o nome de Marte Vingador. No Campus-Martius era-lhe dedicado um altar e além da Porta Capena havia uma majestoso templo que lhe pertencia. Na Régia, morada dos imperadores, havia o famoso sacrário de Marte e César Augusto deu maior força a seu culto, dando-lhe a atribuição de guardião pessoal do imperador e vingador dos Césares.
MERCÚRIO
A lenda sobre a origem de Mercúrio é muito interessante e seu nascimento se deve a mais uma entre as infinitas aventuras amorosas praticadas por Júpiter, seu ardente pai.Júpiter, certa vez, apaixonou-se por uma ninfa, Clímene, e desse amor nasceu Atlas, uma criatura de físico perfeito e força colossal. Por ofender Júpiter, Atlas foi condenado a carregar o mundo nas costas mas, antes disso, ou talvez depois, o poderoso atleta amou Pleione e dela teve sete filhas que foram imortalizadas e colocadas na constelação de Touro, onde formam um agrupamento estelar chamado Plêiades.
Umas das plêiades, Maia, foi amada por Júpiter, que era seu avô, e lhe deu um filho, Mercúrio, ou Hermes, que era como o chamavam os gregos.Deus da eloquência, do comércio, da oratória, dos viajantes, negociantes e até dos ladrões, Mercúrio exercia múltiplas atividades na corte olímpica. Participava de todas as questões, intrigas, guerrilhas ou acordos, na posição de mensageiro, mediador ou diplomata.
Era figura importante em quase todos os casos amorosos. Um dos mais interessantes é o que conta a estória do amor de Júpiter por Io, a filha do estranho rio Ínaco. Para aliviar Io do ciúme de Juno, Júpiter transformou-a numa vaca branca. Suspeitando de algo e impressionada com a beleza do animal, Juno pediu ao esposo que lhe desse a vaca. Júpiter não ousou negar o pedido e a vaca Io foi levada aos jardins de Juno, onde ficou sob a guarda de Argos, um pastor que tinha cem olhos bem estranhos, pois enquanto cinquenta dormiam os outros cinquenta ficavam acordados, vigiando. Mercúrio adormeceu todos os olhos de Argos, com sua flauta mágica, cortou a cabeça do pobre pastor e libertou Io.
Juno, penalizada, transformou Argos num pavão, cuja cauda cromática mostra os cem belos olhos.Desde pequenino Mercúrio mostrou seu gênio brincalhão e suas tendências desonestas. Fou ele quem roubou o tridente de Netuno, a espada de Marte e o famoso cinto de Vênus. Roubou, também, os bois de Apolo e depois trocou-os pela maravilhosa lira do deus-sol. Foi, também, participante de um curioso episódio, o que conta a estória das núpcias de Tétis e Peleu onde, em plena festa, a deusa Discórdia atirou sobre a mesa uma maçã de ouro com o dístico: à mais bela. Juno, Minerva e Vênus disputaram a posse da maçã e um concurso foi organizado.
Páris foi o juiz e ao conceder o pomo a Vênus, dando-lhe a vitória, arranjou duas terríveis inimigas em Juno e Minerva, que por isso causaram a ruína dos troianos. As três deusas viviam brigando e para acompanhá-las ao monte Ida, onde foi realizado o concurso, Júpiter escolheu o habilíssimo Mercúrio, que conseguiu levá-las até lá sem maiores problemas.Mercúrio, numa de suas estórias de amor, apaixonou-se por Penélope, mulher de Ulisses. Para seduzi-la, transformou-se em bode e dessa paixão nasceu Pã, o ardoroso deus dos caçadores e incorrigível caçador de ninfas.
Amou também Prosérpina, que depois foi esposa de Plutão, deus dos infernos e a náiade Lara, também chamada Muta ou Tácita, porque tivera su língua cortada por Júpiter, como castigo. Condoído e apaixonado, Mercúrio protegeu-a e ela lhe deu dois filhos, os chamados deuses Lares, que estavam em todas as casas romanas e traziam sorte e prosperidade.Gregos e romanos cultuaram Hermes-Mercúrio com grande devoção. Tinha grandes templos em Creta e maiores ainda em Cilene pois, segundo a lenda, seu nascimento ocorrera num monte próximo a essa cidade. Tinha, ainda, um oráculo em Acaia. Em Roma, eram-lhe dedicadas grandes festividades no primeiro dia de maio, onde os negociantes lhe prestavam homenagens pomposas.

NETUNO
Após destronarem o pai, Saturno, seus três filhos dividiram o mundo entre si. Plutão ficou com os Infernos, Júpiter escolheru o Céu e Netuno reservou par si a água, os oceanos, rios, mares, fontes e ribeiras, pertencendo-lhe também todas as ilhas, que ele fazia surgir do mar ou desaparecer sob as águas a um simples golpe do seu tridente. Com calma e serenidade, governava seu mutável império e, do fundo do mar, onde está sua imperial morada ele conseguia saber tudo quanto sucedia na superfície da terra e no universo estrelado. Quando os ventos sopravam furiosos, agitando as águas, ele as acalmava com seu tridente, fazendo-as retornar aos leitos primitivos; desencalhava os navios presos nos recifes, limpava as praias onde os vergalhões gigantescos haviam revolvido as areias e restabelecia a paz entre os homens e os elementos.
A despeito de sua bondade, beleza e colorido, inspirava terror por ocultar terríveis e apavorantes mistérios em seu seio. Assim, ninguém se aproximava muito dele e mulher alguma, mortal ou imortal, queria amá-lo; a muito custo os delfins conseguiram fazer com que a nereida Anfritrite se tornasse sua esposa. Quando se apaixonou por Ceres, teve que se transformar num cavalo para ser amado por ela; mais tarde, ao dar à luz o Cavalo Arion, Ceres ficou tão desesperada que se encerrou numa caverna, jurando de lá não mais sair. Com isso, ameaçava a humanidade de morte pela fome, pois era a deusa das searas e sua ausência tornava estéril a terra. Para ser amado por Medusa, Netuno foi obrigado a se transformar num pássaro; Medusa, a rainha das Górgonas, era uma criatura de deslumbrante beleza, possuidora de uma cabaleira de excepcional formosura.
Netuno raptou-a e levou-a para o templo de Minerva que se ofendeu com isso e, em lugar de castigar Netuno, castigou a bela Medusa, transformando-lhe os cabelos em serpentes furiosas e tornando seus lindos olhos tão maus e impiedosos que transformavam em pedra tudo quanto miravam.Netuno, juntamente com sua esposa, Anfitrite, possuía inúmeros templos na Grécia. Em Roma também era muito venerado. No circo representavam-se espetáculos em dua honra, chamados Hípios e todo o mês de fevereiro lhe era consagrado.
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