Sofrer
torna a memória mais exata
O psicólogo especializado em Antropologia
Mauro Godoy comenta um novo estudo feito pela Universidade
de Harvard, revelando que as lembranças boas podem ser
muito menos exatas do que as más. Uma pessoa que traz
boa lembrança de algum evento é muito mais passível
de ter sua memória distorcida do que quem tem uma memória
negativa sobre o mesmo evento.
As pesquisas foram feitas entre torcidas de diversos esportes. Várias
decisões de campeonatos serviram de questionário para os torcedores,
ganhadores e perdedores.
Notou-se que a riqueza de detalhes sobre os jogos era extremamente maior nas
descrições dos perdedores do que dos ganhadores. Com acertos
de 5 para 1. Outros testes foram feitos sobre acontecimentos positivos e outros
graves como o atentado ao World Trade Center. Concluiu-se que o detalhamento
na descrição era tremendo sobre as tragédias.
Para Godoy, acontecimentos ruins geram a produção de adrenalina
e outras substâncias defensivas, que por sua vez despertam maior seriedade,
atenção, preocupação e senso resoluto. Já os
bons acontecimentos, são acompanhados por prazer, alegria e outras emoções
providas de exagero, conteúdo suficiente para distorcer qualquer realidade.
As lembranças ruins podem pulsar na memória, apontando para o
perigo, o que gera medo, dúvida e indisposição. Mas, também
amadurecem, tornam uma pessoa mais prudente e, muitas vezes, alimentam a vontade
de dar a “volta por cima”e alcançar uma compensação.
Já as lembranças boas convencem que a vida vale a pena, que a
pessoa é capaz, vitoriosa e isso leva à felicidade e a vontade
de viver.
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